Eu estava no meu primeiro emprego registrado, já adulta, tentando levar a vida com responsabilidade e aprender a lidar com aquele mundo novo de horários, clientes, colegas e olhares. Comecei a trabalhar em um supermercado, e logo meu namorado da época ficou com ciúmes. Motivo até tinha um pouco, porque já no primeiro dia percebi algumas indiretas de homens que trabalhavam ali, mas eu agia como se nada tivesse acontecido. Usava aliança, dizia que namorava e deixava claro que não estava procurando confusão.
Só que havia um rapaz que trabalhava em outro setor do mercado e sempre dava um jeito de aparecer no meu balcão. Eu fazia atualização de preços das mercadorias, então ele vivia pedindo para eu corrigir etiqueta, conferir produto ou imprimir alguma coisa. Era negro, alto, forte, bonito de um jeito que chamava atenção, e tinha uma lábia muito boa. No começo, eu fingia não perceber, mas a verdade é que eu percebia tudo. O jeito como ele me olhava, os sorrisos, as brincadeiras, os bilhetes escondidos. Ele sabia que me balançava.
Mesmo assim, desviei dele por quase um ano. Eu era tímida, não sabia muito bem como reagir e, além disso, namorava. Ele tentava se aproximar, deixava bilhetes, me chamava de linda, dizia que eu era sua branquinha e que um dia ainda me faria perder o juízo. Eu ria sem dar muita corda, fingia ser mais comportada do que era e seguia trabalhando. Só que certas provocações vão ficando na cabeça da gente, mesmo quando a gente finge que não quer.
Até que um dia eu e meu namorado brigamos feio. Ele falou coisas que me machucaram, jogou ciúmes em cima de mim como se eu fosse culpada por existir e, no fim, me deixou com raiva. No trabalho, acabei desabafando com esse colega. Nem preciso dizer que ele viu a brecha. Naquele dia, foram três bilhetes. Um dizia que eu merecia ser desejada de verdade. Outro falava que ele pensava no meu corpo havia muito tempo. O terceiro era mais direto, dizendo que, se eu quisesse esquecer aquele mané por algumas horas, ele sabia como me fazer sorrir.
Eu continuava chateada com meu namorado e sem falar direito com ele. Então surgiu a proposta de eu e esse colega sairmos “na amizade”. Era mentira, claro. A gente podia até fingir, mas os dois sabíamos que amizade nenhuma explicava aquele clima. Quando chegou o dia, me arrumei com uma mistura de culpa, raiva e vontade. Coloquei um short jeans, uma blusa rosa clara e um sutiã vermelho escuro. Fui um pouco na maldade, porque, se rolasse algo, eu já estava sem calcinha. Mesmo assim, minha consciência pesou, e chamei uma amiga para ir junto, como se a presença dela fosse me impedir de fazer besteira.
Só que o universo às vezes conspira contra o juízo da gente. Minha amiga bebia bastante e acabou se distraindo no rolê. Eu também bebi um pouco, mas nada que me tirasse a noção do que estava fazendo. Estava alegre, irritada e com a cabeça cheia de desejo acumulado. Fomos no carro dele, e, em certo momento, percebi que nós dois já estávamos nos olhando de um jeito impossível de disfarçar. Ele captou minha vontade antes mesmo que eu falasse.
Demos a desculpa de que precisávamos pegar algo no carro. Minha amiga quase nem percebeu, ficou onde estava, distraída com a bebida e a conversa. Ele manobrou para um lugar mais escuro e fomos para o banco de trás. Olhei aquele homem forte, de regata e short leve, com o pau já marcando de tesão, e senti minha coragem subir de uma vez. Sentei por cima dele e comecei a beijá-lo com toda a vontade que tinha fingido não sentir durante meses.
As mãos grandes dele passavam pelo meu corpo, apertando minha cintura, minha bunda, meus seios. Ele puxava minha roupa enquanto eu me deliciava naquele beijo intenso, colocando para fora todo o desejo que tinha segurado por tanto tempo. Eu ainda estava dividida por dentro, pensando no meu namorado, na briga, na aliança, no que aquilo significava. Mas meu corpo já tinha respondido. Eu estava ali porque queria estar.
Ele puxou meu sutiã, libertou meus seios e caiu de boca neles. Mamava com vontade, chupava, mordia de leve, me chamava de gostosa e dizia que tinha esperado demais por aquele momento. Eu tentava segurar um pouco a onda, mais por culpa do que por falta de vontade, mas bastava a boca dele nos meus seios para eu esquecer qualquer resistência. Aquilo estava gostoso demais. Era errado, era vingança, era tesão, e eu estava deixando acontecer porque, no fundo, eu queria aquela resposta safada para tudo que tinha ouvido do meu namorado.
Quando ele tirou meu short e percebeu que eu estava sem calcinha, me olhou com aquela cara de quem dizia “eu sabia”. E ele sabia mesmo. Eu podia tentar negar com palavras, mas meu corpo me entregava. Estava molhada, quente, louca para sentir aquele homem. Ele procurou uma camisinha rápido, porque o tesão já tinha passado de qualquer conversa. Enquanto ele colocava, eu só pensava no quanto queria sentar naquele pau.
Sentei devagar no começo, sentindo entrar, abrindo meu corpo para ele. O fogo subiu de uma vez. Eu gemia, e os gemidos dele no meu ouvido deixavam tudo ainda mais intenso. Até hoje lembro daquele som. Ele me chamava de branquinha, dizia que me queria desde a primeira vez que me viu no mercado e que eu ficava linda sentando nele daquele jeito. Aquilo me deixava safada, vaidosa, tomada por uma sensação de poder que eu não esperava sentir.
Eu estava entregue ao momento. Sentava naquele pau enquanto ele me puxava pela cintura para sentir tudo dentro de mim. No fundo, meu celular começou a tocar. Era meu namorado. Eu vi o nome dele brilhando na tela e, em vez de parar, senti a raiva voltar como combustível. Cada chamada parecia me empurrar mais fundo naquela vingança. Eu sentava mais forte, rebolava mais devagar, gemia mais perto do ouvido do meu colega, como se cada movimento fosse uma resposta ao homem que tinha me machucado.
Aquilo me deixou fora de mim de prazer. Eu deslizava, gemia e sentia aquele pau me preencher de um jeito que meu namorado nunca tinha conseguido. Quando gozei com penetração pela primeira vez, meu corpo tremeu inteiro. Fiquei agarrada nele, sentindo as pernas falharem, a respiração escapar e a culpa sumir por alguns segundos. Ele me segurou firme, urrou no meu ouvido e gozou também, apertando minha cintura como se não quisesse me soltar.
Ficamos ali por um tempo, olhando um para o outro no banco de trás, ainda tentando recuperar o fôlego. Eu sentia o corpo mole, o cabelo bagunçado, a roupa quase toda fora do lugar. Ele fez carinho no meu rosto, sorriu e disse que eu devia largar aquele mané para ser dele de vez, porque ele me deixaria daquele jeito todos os dias. Eu sorri, ainda ofegante, e respondi que pensaria. Mas, naquele momento, eu sabia que não estava pensando em futuro nenhum. Eu só estava sentindo o gosto da vingança.
Tentamos nos arrumar, mas era difícil disfarçar. Eu estava destruída, com cara de quem tinha acabado de fazer exatamente o que não devia. As chamadas perdidas do meu namorado continuavam no celular, e eu ignorei. Voltamos para onde minha amiga estava, fingindo naturalidade. Acho que a bebida e a distração fizeram com que ela não reparasse muito, ou talvez tenha percebido e preferido não comentar.
Depois voltamos para casa. Nos dias seguintes, meu colega tentou continuar. Mandou mensagem, tentou conversar, insinuou repetir, mas eu acabei resolvendo a briga com meu namorado. O tempo passou, as coisas mudaram, fui para outros relacionamentos, e entre nós não rolou mais nada além daquela noite.
Mas eu não esqueci.
Foi errado? Foi. Foi traição? Foi também. Só que, naquela noite, no banco de trás daquele carro, eu transformei raiva em prazer. E, por mais que tenha sido só uma vez, ficou marcada em mim como uma doce e inesquecível vingança.


Exitante. Adorei.
História rápida e envolvente, o que a bebida e o tesão não fassem.