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Desejos Intensos

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Cruzando Fronteiras

Posted on 4 de fevereiro de 20236 de junho de 2026 By Desejos Intensos Nenhum comentário em Cruzando Fronteiras

No mirante da Torre de TV, no meio do Plano Piloto, em Brasília, Renata sentia as lágrimas secarem no clima seco da cidade. Precisava se mover, fazer alguma coisa a respeito. O olhar triste começava a se transformar em raiva, e a fumaça distante das queimadas parecia acompanhar o incêndio que nascia dentro dela.

Renata vivia um noivado que julgava feliz. Ricardo parecia o homem dos sonhos: religioso, respeitador, acima de qualquer suspeita. Mas, depois de cinco anos de relacionamento, os adiamentos do casamento começaram a incomodá-la. As viagens dele, as ausências e a distância da rotina viraram nuvens sobre sua cabeça. Mesmo contra alguns conselhos, decidiu morar com o noivo. Foi aí que os problemas e as brigas aumentaram.

Ainda assim, Renata acreditava que o destino estava traçado e que sua felicidade estava encaminhada, até descobrir as traições de Ricardo.

Naquele momento, no alto do mirante, uma mão passou por sua cintura. Os olhos castanhos de Renata encontraram os olhos escuros de Alice. “Vamos enxugar essas lágrimas, amiga. Hoje você se livrou de um cafajeste.” Renata esboçou um sorriso leve enquanto o vento ganhava força e levantava seus longos cabelos castanhos e ondulados.

Com o celular desligado por ordem de Alice, Renata foi levada para o apartamento da amiga, onde ficaria provisoriamente até ter coragem de encarar a situação. Nada impedia Ricardo de ligar para Alice, que atendia com deboche: “Assessoria de Imprensa das Cornas Unidas, em que posso ajudar?” A tragicomédia era o alento possível.

O “roteiro de libertação” de Alice estava pronto. Toda vez que Renata lembrava do ex-noivo, Alice a fazia virar uma pequena dose de vodca. “Vai beber uma vodca de verdade, dessas que meu contato da embaixada russa me deu.” Na terceira dose, Renata já estava alterada, e Alice decidiu dominar a situação, escolhendo sua roupa para a noite.

“Como pode…”, pensava Alice ao vê-la se vestir. Renata tinha pernas longas, bunda firme, cílios marcantes e um sorriso cativante, mesmo carregando o desejo secreto de aumentar os seios. Não precisava. Ali estava uma quase modelo, que não havia seguido carreira por causa dos pais conservadores demais.

Depois de vestir a amiga com um look que a deixava próxima do estilo das tops, Alice também se arrumou e a levou para um pub. Tinha recebido convite de um amigo da embaixada para uma “Festa das Nações”, com servidores e conhecidos de várias representações diplomáticas. Aproveitou a ocasião para levar a amiga, que precisava se sentir viva outra vez.

Ao chegar ao pub, Renata percebeu que teria que usar o inglês que havia aprendido. Alice já tinha avisado que ali era quase uma extensão das embaixadas, uma espécie de ONU das baladas. O clima era diferente, nada parecido com as noites brasileiras de costume. Alice apresentou John, da embaixada americana, e José, ligado à portuguesa. Renata sabia dos encontros de Alice com John, mas achou ousado ser apresentada a alguém tão rápido. “Aproveita”, Alice sussurrou em seu ouvido.

José era bonito e simpático. Alto, com barba por fazer, parecia ter saído de uma agência de moda. O sotaque dava o charme final. Renata se pegou olhando para o queixo dele, para os lábios quando sorria e para o jeito calmo com que falava. Alice colocou bebidas para todos. John acompanhou. José não bebeu porque estava dirigindo. Renata, que não era acostumada, ficou alterada depressa.

Alice levava a amiga para dançar. Renata ria, depois voltava à mesa, chorava, sorria de novo e procurava o celular para mandar insultos para Ricardo. Alice tinha feito bem em deixá-lo no apartamento. Renata passou um pouco dos limites, gritando e contando como havia descoberto a traição do noivo. Começou a ficar cansativa. Alice percebeu e pediu a José que as deixasse no apartamento antes de seguir a noite com John.

Mesmo relutante, Renata foi levada. Alice a deixou no apartamento, manteve o celular em quarentena e saiu novamente. José pegou o contato das duas e se despediu.

Quando acordou, com uma ressaca pesada, Renata se sentiu extremamente envergonhada. Alice já tinha voltado e preparava um café forte, seu “cura-ressaca” particular. Disse que José havia gostado dela, mas Renata não conseguia esquecer o quanto tinha falado demais. Passaram o dia relaxando, fazendo compras, indo ao salão e planejando uma nova vida para Renata, enquanto Alice mantinha a quarentena do celular.

No fim da tarde, pela força do destino cuidadosamente planejado por Alice, José e John as encontraram perto de uma cafeteria. Renata, ainda cheia de vergonha, acabou conversando com José, que se mostrou cavalheiro e simpático. Aos poucos, a tensão foi dando lugar a uma mistura de sentimentos. Algo a puxava para perto dele. Os lábios de José a atraíam de tempos em tempos.

Depois da cafeteria, foram caminhar pelo Parque da Cidade. Ali, Renata já ria das piadas de José e das estranhezas culturais que os dois comparavam. Em certo momento, sentaram-se em um banco. Alice e John fizeram uma saída estratégica para comprar sorvete. José se aproximou. Renata correspondeu ao beijo, descarregando nele uma mistura de mágoa, desejo e vontade de recomeçar.

Alice estava longe com John quando viu a cena. Quase no mesmo instante, Ricardo apareceu e foi na direção de Renata. Alice puxou John, mas ainda estavam distantes. José percebeu um homem furioso se aproximando, chamando Renata de “puta”, e se colocou à frente dela. Ricardo apontava o dedo, gritava e xingava, enquanto Renata se sentia acuada e começava a chorar. José tentou afastá-la dali, mas Ricardo foi atrás e empurrou-o, agora também o insultando.

José se manteve firme até perceber o punho cerrado de Ricardo se levantar. Uma das funções de José na embaixada era atuar na segurança do cônsul. Também tinha formação militar. Ricardo mal percebeu quando o próprio soco falhou. Só sentiu as pernas serem varridas pelo chute de José. Ao tentar levantar para avançar de novo, levou um soco que o derrubou. Nesse momento, John chegou e afastou Ricardo, enquanto Alice amparava Renata. José sentiu o punho arder. O golpe não tinha encaixado bem.

Alice pediu que Renata fosse com José até o carro enquanto resolvia a situação. Renata entrou chorando, tremendo, sem querer que a cena tivesse chegado àquele ponto. José segurou suas mãos geladas e tentou acalmá-la. “Não deixe isso te abalar”, disse, enquanto ela enxugava as lágrimas. “Vamos sair daqui. Precisas te afastar disto.” Ligou o carro e seguiu pelas vias de Brasília, deixando a confusão para trás.

Ao sair, Renata olhou para o céu limpo, em degradê de cores no fim da tarde. A cena do parque se afastava pelo retrovisor. José preferiu dirigir por algum tempo antes de voltar ao apartamento, dando a ela espaço para respirar.

Depois de andar um pouco, José começou a pegar o caminho de retorno. Renata olhou para ele e tocou sua mão no câmbio. “Não. Vamos andar mais um pouco, por favor.” O pedido foi atendido. Só então ela reparou na mão direita dele, avermelhada pelo soco. Acariciou-a com cuidado. “Desculpe.” José olhou para ela. “Não foi nada. A situação foi inevitável. Eu não podia deixar que ele se aproximasse de ti.”

O carro parou em um sinal. Renata tirou o cinto e o beijou. Uma buzina leve trouxe os dois de volta à realidade. Estavam um pouco distantes da casa de Alice, mas Renata reconhecia a região. Era um condomínio aberto, com ruas tranquilas e uma praça mais escura. Pediu que José entrasse ali.

Com alguma estranheza, ele obedeceu. Renata o guiou até uma rua próxima a uma antiga escola e a uma praça pouco iluminada. “Ali”, indicou. José parou entre a escola e a praça e olhou para ela. Renata ficou um pouco envergonhada. “Essa era minha antiga escola. Eu namorava por aqui.” Soltou um sorriso pequeno, quase tímido. José desligou o carro, e Renata voltou a beijá-lo.

O beijo estava diferente. Seus lábios ainda tinham o gosto salgado do choro, mas isso parecia fazê-la se entregar mais. As mãos de José, mesmo machucadas, acariciavam seu corpo enquanto as línguas se encontravam com urgência. Renata passou as mãos pelo peito dele, sentindo o calor firme sob a camisa. Ele acariciou suas coxas, subiu até a cintura e, em uma pausa ofegante, os dois se olharam.

Renata pegou a mão dele e a colocou sobre seus seios, por cima do vestido. José entendeu o convite e começou a massageá-los. Ela sentiu o desejo subir. Era ali que gostava de ser tocada primeiro. Puxou as alças do vestido e liberou o sutiã. José viu seus seios como um convite impossível de recusar. Aproximou-se, beijou-os e passou a lambê-los devagar, ouvindo os suspiros dela quando a ponta da língua tocava seus mamilos sensíveis.

Enquanto beijava um seio, a mão direita acariciava o outro. A esquerda deslizava sobre a coxa dela. Renata sentia o corpo reagir, molhado de desejo. Quando José levou a mão à sua virilha, percebeu que ela estava realmente entregue ao momento. Ao menor intervalo, Renata o empurrou de leve, saiu do próprio banco e sentou-se sobre ele, que ajustou o assento para recebê-la melhor.

Ela rebolava sobre José, pressionando o membro dele mesmo com as camadas de roupa entre os dois. Sua respiração alta e descompassada o deixava ainda mais excitado. José passou o polegar pelos lábios dela. A penumbra tinha algo que a enfeitiçava: o segredo, o proibido, a sensação de estar cruzando um limite. Renata chupou o dedo dele, deu uma leve mordida e soltou.

Como se aquilo fosse uma confirmação, José se ajeitou. Renata voltou para seu banco, agora mais decidida. Abriu a calça dele, encontrou seu membro e o puxou para fora. Primeiro beijou, depois passou a chupá-lo, percebendo o gemido baixo e o corpo dele tensionar de prazer.

José observava aquela mulher linda lhe dar um carinho íntimo no meio daquela rua quase vazia. Renata se deixava levar pela loucura do instante. Recusava-se a pensar. Queria apenas sentir.

Depois de algum tempo, José a convidou para ir ao banco de trás. Renata obedeceu, enquanto ele pegava uma camisinha no porta-luvas. Ela se deitou, e José tirou sua calcinha. Em seguida, desceu entre suas pernas e começou a chupá-la.

Renata sentia a língua dele passear por sua intimidade, acertando o clitóris com precisão. O tesão a fez pressionar o rosto dele contra si. José, porém, não tinha pressa. Massageava-a com os dedos e a boca até deixá-la quase sem controle. Renata já não segurava os gemidos. Ondas de prazer a invadiram até seu corpo estremecer em um gozo forte, que interrompeu sua respiração ofegante por alguns segundos.

Foi então que ela se levantou, fez José se sentar no banco e voltou a provocá-lo com a boca até sentir que ele estava pronto. Colocou a camisinha e, olhando fixamente para ele, foi descendo devagar, preenchendo-se com José até sentir o corpo inteiro se ajustar ao dele.

Ela estava molhada, quente e tomada por um fogo que havia passado tempo demais reprimido. Começou a se mover, sentindo José fazer parte de seu prazer. Ele tirou a camisa, revelando o peitoral firme que a fazia rebolar com mais vontade, sentando nele com gemidos cada vez menos contidos.

José parecia hipnotizado pelos seios dela, pela boca aberta em um “oh” de prazer, pelos fios de cabelo ondulados caindo sobre o rosto. A penumbra desenhava Renata como uma pintura viva. Quando ela o olhava e sorria ao senti-lo entrar mais fundo, ele parecia perder mais um pouco do controle.

As mãos dele foram do quadril aos seios dela, alternando beliscões leves e massagens. Aquilo enlouquecia Renata de um jeito que deixava sua expressão ainda mais intensa sob a pouca luz do lugar.

José quis dar o melhor de si. Afastou os bancos da frente e fez Renata se apoiar neles, de costas para ele. Limitado pelo teto do carro, segurou-a pelo quadril, empinou seu corpo e encaixou-se novamente nela. Ao sentir que estava firme, começou a se mover.

Renata sentia o corpo ser empurrado por ele em uma pressão profunda, que vinha de baixo para cima e terminava no peito de José, colado às suas costas. O carro se movia. Ela percebia. Mas o prazer era maior do que qualquer preocupação. José aumentou o ritmo até chegar ao clímax dentro da camisinha.

Exausto, sentindo que havia forçado o corpo, José se sentou no banco traseiro. Observou Renata se aproximar e sentar ao seu lado. Os dois se beijaram. Ele arrumou os cabelos dela, passou as mãos pelo rosto, pelo pescoço, pelos seios, pelo ventre e pelas coxas.

Renata via o corpo de José refletindo a pouca luz do poste distante, coberto por um brilho leve de suor. “Obrigada”, disse. O agradecimento tirou José do transe. Ele ficou desnorteado por um instante, sem saber o que responder. Na cabeça dele, talvez fosse ele quem deveria agradecer. Quando tentou falar, Renata o interrompeu: “Vamos para casa”.

José pensou rápido. Livrou-se da camisinha em um pequeno saco de lixo que mantinha no carro, porque odiava sujar a rua, e respondeu: “Vamos à minha casa. Lá podes descansar tranquila. Eu aviso John e Alice que estás comigo.” Renata olhou para ele e aceitou.

Ao sair dali, Renata foi guiando o trajeto de seu passado para o futuro, agora em direção à casa de José. Ao chegar, ele lhe emprestou roupas. Ela nunca tinha usado uma peça masculina daquele jeito. Saiu do banheiro com uma camisa que, nela, parecia uma camisola, sentindo-se estranhamente diferente.

Renata comeu algo que José havia preparado enquanto ela tomava banho. Olhava as esculturas, os livros e os pequenos detalhes da casa. Com um último pedaço de bolacha na mão, viu José aparecer sem camisa, ainda se secando, indo ao encontro dela. Ela levou o pedaço à boca dele, abraçou-o e o beijou.

“Bem, eu fico cá no sofá. Tu podes ficar na cama”, ele disse, vestindo a camisa que carregava no ombro. Renata negou com a cabeça.

Naquela noite, Renata descobriu que, por muitos anos, se acostumaria com o leve ronco de José. Ele, por sua vez, se acostumaria com os chutes dela durante o sono. Descobriram também que mudariam de lugar, que aquele país deixaria de ser apenas a pátria dele para se tornar parte da história dela, e que tudo aquilo era apenas o começo de uma vida que se ligaria cruzando fronteiras.

Ficção Tags:Brasília, carro, desejo, estrangeiro, ficção, heterossexual, paixão, recomeço, romance erótico, traição

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