Eu sou a Shay. Talvez quem já leu algumas aventuras da Mery se lembre de mim, a amiga morena que às vezes aparece no meio das loucuras dela. Só que dessa vez a história não é dela. Quer dizer, a Mery estava comigo, claro. Ela sempre dá um jeito de estar perto quando alguma coisa sai do controle. Mas dessa vez quem vai contar sou eu, porque foi uma daquelas tardes que começaram com cerveja, sinuca e risada, e terminaram com nós duas quase nuas na beira de uma BR, rindo de nervoso e tentando entender como tínhamos ido tão longe.
Era uma sexta-feira de frio leve. O sol ainda estava gostoso, daqueles que enganam a gente e deixam o fim de tarde com cara de convite. Eu e a Mery resolvemos ir a um bar perto da rodovia, um lugar simples, conhecido, onde a dona já sabia quem éramos. A ideia era beber um pouco, jogar sinuca e jogar conversa fora. Nada demais. Pelo menos era o que a gente dizia quando saiu de casa.
No começo, o bar estava praticamente vazio. Ficamos só nós duas, uma mesa de canto, algumas bebidas e a sinuca livre. A Mery, loira, chamava atenção do jeito dela, mesmo quando não queria. Eu, morena, estava no meu dia de provocar, mas ainda fingindo que era só animação de sexta. Estávamos vestidas como quem sabe que pode ser olhada, mas sem entregar demais de primeira. Aquelas roupas que parecem inocentes se a noite terminar cedo, mas que viram outra coisa quando a bebida começa a fazer efeito.
Jogamos algumas partidas sozinhas. Eu ria dos erros dela, ela ria dos meus, e as provocações começaram de brincadeira. Só que bar de beira de estrada nunca fica vazio por muito tempo. Passadas algumas horas, começaram a chegar homens mais velhos, frequentadores daquele tipo de lugar. Primeiro dois, na faixa dos quarenta e poucos. Depois chegou outro, mais velho, já passado dos cinquenta, com um jeito calmo, observador, daqueles que não precisam falar alto para a gente perceber.
Eles foram para a sinuca, bebendo e jogando entre eles. Eu e Mery continuamos na nossa mesa, fingindo que não estávamos reparando. Mas eu estava. Eu via os olhares, via os sorrisos de canto, via como eles mediam a gente quando uma de nós levantava para pegar bebida. A Mery também via, só que ela tentava disfarçar melhor. Eu não. Quando começo a gostar do jogo, gosto que saibam.
O tempo foi passando, a tarde escurecendo, e um dos homens foi embora. Ficaram dois, o mais velho e o outro, um pouco mais novo. A mesa de sinuca ficou livre outra vez, e eu cutuquei a Mery.
“Vamos jogar mais uma.”
Ela fez cara de quem não queria. Disse que já tinha bebido, que estava bom, que era melhor ficarmos quietas. Mas eu insisti. Eu já estava alegre, solta, com aquela vontade de falar bobagem só para ver até onde a noite respondia. A Mery resistiu um pouco, mas acabou indo comigo.
Assim que ela pegou o taco, eu comecei.
“Vai, Mery, pega firme. Não erra o buraco.”
Ela me olhou com vergonha e riu, tentando mandar eu parar. Só que os homens ouviram, claro. O mais novo riu primeiro. O mais velho ficou olhando, com aquele sorriso de quem entendeu muito bem o tipo de partida que eu queria jogar. Quando a Mery se inclinava sobre a mesa, eu continuava provocando.
“Tem que mirar direito. Taco mole não resolve nada.”
Os dois entraram na brincadeira. A Mery ficou vermelha, mas não saiu. E quando ela fica com vergonha, fica ainda mais gostosa de provocar. Eu percebi que os homens também estavam se divertindo. Aquilo foi deixando o ar mais quente, mais pesado. A sinuca virou desculpa. Ninguém ali estava prestando tanta atenção nas bolas da mesa.
O homem mais velho olhou para mim e disse que eu parecia ter experiência com taco. Eu virei para ele, sorrindo, e respondi que gostava, principalmente dos que já tinham bastante história. Ele riu. A Mery me deu um tapinha no braço, fingindo bronca, mas eu conhecia minha amiga. Quando ela começava a rir assim, era porque a ideia já tinha entrado na cabeça dela.
Terminamos a partida e voltamos para a mesa. A Mery foi ao banheiro, e nesse intervalo eu puxei nossas coisas para uma mesa mais perto da sinuca. Eu queria ficar mais próxima deles. Também fui até a dona do bar e, num tom de brincadeira, perguntei se ela se importava se a gente aprontasse um pouco ali. Ela me olhou como quem já tinha visto muita coisa naquele lugar e disse que, se fosse só provocação, tudo bem, mas ali não era lugar de cobrar programa.
Eu dei risada. Disse que não era isso. Era só uma noite animada.
Quando a Mery voltou e viu nossas coisas em outra mesa, fez cara feia.
“Tu mudou a gente de lugar?”
“Só deixei mais perto da diversão.”
Ela reclamou um pouco, mas sentou. Depois pediu algo mais forte, dizendo que precisava ficar mais feliz. Aí eu vi que minha amiga já estava entrando no clima. Pedimos cachaça com coca, e a noite começou a virar de vez.
Os homens voltaram a jogar, agora nos olhando mais abertamente. O mais velho, que parecia mais tranquilo no começo, começou a me provocar enquanto segurava o taco, dizendo que era assim que se pegava direito. Eu respondi que para ser bom de jogar precisava estar duro. A Mery riu com o copo na mão, tentando esconder o rosto, mas já não estava tão tímida.
A bebida ajudou. Ou atrapalhou. Depende de como se olha.
Pouco depois, foi ela quem surpreendeu. A Mery, já mais solta, olhou para os homens e disse que o jogo precisava de uma aposta. Eles se interessaram na hora. Eu também fiquei curiosa, porque quando a Mery tem ideia depois de beber, quase sempre vem coisa errada.
O mais velho perguntou qual era a aposta.
A Mery olhou para mim, depois para ele, e disse, rindo, que quem ganhasse podia cobrar o meu cu.
Eu quase engasguei com a bebida.
“Meu? Tu ficou louca?”
Ela ria como se tivesse feito a melhor piada do mundo. Os dois homens adoraram. O mais velho olhou para mim como se já estivesse imaginando a cobrança. Eu fiz que não com a cabeça, mas confesso que meu corpo não negou com tanta força assim. A provocação me pegou desprevenida, mas também acendeu alguma coisa.
Só que eu não ia deixar barato.
“Então vai ser justo. Se tu aposta o meu, eu aposto o teu.”
A Mery abriu a boca para responder, mas já era tarde. A brincadeira estava feita. O mais velho ficou com a aposta dela sobre mim, e o outro ficou com a aposta minha sobre ela. De repente, a partida de sinuca virou uma disputa indecente, com nós duas bebendo, rindo e fingindo que aquilo era só brincadeira, enquanto os dois jogavam muito mais sérios do que antes.
Eu estava com tesão, não vou mentir. Mas também estava naquela mistura de coragem e receio. Queria aprontar, queria sentir o perigo da situação, mas não tinha certeza de até onde iria. A Mery, por outro lado, foi se soltando cada vez mais. Ela chegava perto do homem mais novo, cochichava coisas sobre mim, falava que eu era safada, que eu gostava de provocar. Eu ria e mandava ela calar a boca, mas por dentro gostava de ver minha amiga me entregando daquele jeito.
No fim, o mais velho ganhou.
O outro quis revanche, mas a Mery não quis arriscar de novo. O vencedor sentou perto de mim e perguntou quando podia cobrar. Antes que eu respondesse, a Mery disse:
“Pode ser agora. Ela já está sem calcinha.”
Eu ri alto.
“Mentira dela.”
Ele olhou para mim, curioso. Eu, já tomada pela malícia, peguei a mão dele e levei por baixo do meu short, só o suficiente para mostrar que eu ainda estava de calcinha. Ele me chamou de safada e disse que queria arrancar com os dentes. Eu respondi que depois talvez deixasse, porque eu cumpria minhas apostas, mas gostava de fazer valer a pena.
Enquanto isso, o outro tentava convencer a Mery. Ela dizia que ele tinha perdido e não merecia. Ele perguntou quanto valia a aposta, e eu, entrando na brincadeira, falei que no mínimo quinhentos pelo cu rosinha dela. A Mery riu, mas não negou. Pelo contrário. Disse que, por quinhentos, ficava de quatro do meu lado tomando do mesmo jeito.
O clima mudou ali. A brincadeira deixou de ser só fala.
O homem mais velho tirou trezentos reais e jogou na mesa em direção ao amigo. Disse que pagava metade. O outro completou com mais duzentos e entregou para a Mery. Ela pegou o dinheiro, olhou para ele e perguntou se ele queria que ela já tirasse a roupa. A dona do bar, que estava atenta, avisou que ali dentro não dava.
Foi aí que começou a parte que realmente transformou a noite.
Eles perguntaram onde poderíamos ir. Eu sugeri a casa da Mery, tentando dar alguma lógica para a loucura. Mas a Mery, já no auge da coragem, queria aventura. Falou em mato. Falou como se fosse a coisa mais natural do mundo sair de um bar perto da BR e procurar um canto escuro para cumprir uma aposta safada.
Fomos para fora. O ar frio bateu no rosto e me deu um choque de realidade. Por alguns segundos, quase pensei melhor. Mas a Mery estava animada, os homens estavam excitados, e eu estava com aquele tesão que faz a gente rir do próprio juízo indo embora. Entramos no carro dela. Eles vieram atrás, cada um no seu carro.
No caminho, a Mery começou a ficar nervosa.
“Não sei se vou conseguir cumprir. Não tenho lubrificante, não tenho nada.”
Eu sorri, tentando aliviar.
“Vai que nem funciona o pau deles direito. A gente ganha dinheiro fácil.”
Ela riu, mas eu percebi que estava tensa. Eu também estava. Não era medo deles, era medo da nossa própria coragem. Paramos em um acostamento, perto de uma entrada de estrada de chão. Havia mato fechado ali, um canto escuro o suficiente para parecer escondido, mas perto o bastante da rodovia para manter aquela sensação de perigo.
A Mery desceu do carro já tirando parte da roupa. Os homens ficaram loucos. Eu desci mais devagar. Um deles perguntou se eu ia continuar vestida. Eu disse que por enquanto sim. Gostava de fazer render.
Entramos no mato. A noite estava úmida, o chão irregular, o barulho da BR ficando mais distante a cada passo. Encontramos um lugar mais plano, não muito longe. Pedi para eles colocarem as camisetas no chão para a gente não deitar direto na terra. Eles obedeceram rápido, ansiosos demais para discutir qualquer coisa.
Ali, no escuro, com a luz fraca dos celulares e a excitação de todo mundo, a última vergonha foi embora. Tiramos o resto das roupas. A Mery ficou perto do homem dela. Eu fui para o mais velho. Ele me olhava com fome, mas também com certo cuidado, como se soubesse que tinha ganhado uma aposta e não queria estragar o prêmio.
Comecei beijando, provocando, descendo a boca pelo corpo dele. Ele perguntou se eu fazia sem capa. Eu ri, já ocupada demais com a boca para responder direito. O gosto de bebida, pele e desejo se misturava. Eu sentia a Mery do outro lado, já entregue à própria brincadeira, e aquilo me excitava mais. Era estranho e delicioso ver minha amiga, tão próxima, vivendo a mesma loucura que eu.
O homem mais velho tinha um corpo marcado pelo tempo, pelos escondidos, mãos fortes e um jeito experiente. Não tinha a pressa de um guri. Ele segurava meu cabelo, elogiava minha boca, dizia que eu era perigosa. Eu gostava daquela palavra. Perigosa. Talvez naquela noite eu estivesse mesmo.
A Mery ria, gemia, provocava o outro. Em algum momento, quando olhei, ela já estava completamente envolvida com ele, como se toda a hesitação de minutos antes tivesse ficado lá no bar junto com a mesa de sinuca.
Depois de um tempo, peguei a camisinha. Não queria que a aventura virasse problema. Coloquei nele com calma, ainda brincando com a boca, e perguntei se ele queria primeiro na frente ou se queria cobrar a aposta. Ele respondeu que tinha pouco tempo e queria aproveitar o que tinha ganhado.
Deitei sobre uma das camisetas no chão, sentindo o frio nas costas e o calor dele por cima. Abri as pernas e deixei que ele se aproximasse. Ele não foi bruto de início. Foi devagar, como quem sabia que precisava ganhar espaço, me olhando para perceber até onde podia ir. Ardeu, claro. Sempre arde quando a brincadeira passa da fala para a realidade. Mas eu respirei fundo, segurei nos ombros dele e deixei.
Ele entrou aos poucos, e eu mordi o lábio para não gemer alto demais. A rodovia parecia longe, mas não tanto. O risco fazia parte do tesão. Ele começou lento, depois foi ganhando ritmo, me comendo com uma calma suja, gostosa, como se quisesse provar cada reação minha. Eu sentia vergonha e prazer ao mesmo tempo. Vergonha de estar ali, no mato, com um homem que eu tinha conhecido naquela tarde. Prazer por estar exatamente ali.
Quando virei o rosto, vi a Mery apoiada em uma árvore, o outro homem atrás dela. Ela estava entregue, gemendo do jeito que tentava segurar e não conseguia. Aquela cena me fez perder o resto da compostura. Eu estava sendo comida, ela também, e a aposta absurda que começou na sinuca tinha virado uma lembrança que nenhuma das duas conseguiria fingir que não aconteceu.
Ficamos um tempo naquela posição. O homem mais velho tentava me beijar, mas eu virava o rosto às vezes, mais por provocação do que por recusa. Ele ria baixo e continuava, cada vez mais firme. Depois sugeri mudar. Fiquei de quatro, mas ele me ajeitou de outro jeito, me colocando mais baixa, quase deitada, e voltou a me penetrar. O chão incomodava um pouco, os galhos arranhavam de leve, mas a sensação de estar sendo usada ali, no meio do mato, me deixava ainda mais molhada.
Ele não durou muito depois disso. Levantou, pediu para eu ficar de quatro de novo, segurou minha cintura e veio mais forte. Eu senti o corpo dele perder o controle e, em poucos movimentos, ele gozou na camisinha, respirando pesado, ainda me segurando como se não quisesse soltar.
Ele me chamou de gostosa, disse que eu acabava com qualquer homem. Eu ri, ainda tentando recuperar o ar. Me limpei como deu, conferindo se estava tudo bem, enquanto a Mery continuava com o outro. O homem dela brincou com o meu, dizendo que ele era fraco por já ter acabado. O mais velho respondeu que comigo não tinha como aguentar. Eu ri, um pouco orgulhosa, um pouco sem graça.
Só que a noite ainda não tinha terminado.
O mais velho começou a dizer que precisava ir. Me deu um beijo rápido e saiu do mato, levando com ele a luz que estava nos ajudando. Tive que procurar meu celular para acender a lanterna. A claridade azulada iluminou a Mery ainda escorada, respirando pesado, com o outro homem insistindo nela. Nos ajeitamos melhor. Ela mudou de posição, deitou de lado, e ele continuou por trás.
Eu me aproximei dela, deitei perto, e comecei a beijá-la. A Mery me olhou com aqueles olhos bêbados de tesão, e por um momento esquecemos os homens. Era só nós duas, rindo e gemendo baixinho, cúmplices da própria loucura. Enquanto ele continuava nela, tocou em mim também, passando a mão entre minhas pernas. Eu deixei, mais pela excitação de ver a Mery daquele jeito do que por ele.
Ele avisou que estava quase. A Mery perguntou onde ele queria terminar. Ele disse que queria no rosto dela. Nós nos levantamos. Ela foi para frente dele, eu fui junto, brincando mais um pouco, ajudando a levar aquela cena até o fim. Ele gozou nela, enquanto eu beijava, lambia, provocava, participando do jeito que a noite pedia.
Depois, ele colocou a cueca e começou a juntar as coisas. A Mery se limpou no meu short, e eu reclamei rindo, chamando ela de porca. Voltamos as duas nuas pelo mato até o carro, com cuidado para não tropeçar. Quando chegamos perto da beira da BR, o frio bateu forte no corpo. A realidade parecia outra vez muito perto.
O homem que ainda estava ali pediu para ver o estrago que eles tinham feito. Eu e a Mery nos olhamos. Não sei qual das duas riu primeiro. Talvez fosse vergonha, talvez fosse orgulho, talvez fosse só a bebida falando mais alto. Nos abaixamos lado a lado e mostramos para ele, como duas safadas exibidas demais para fingir inocência.
Ele veio até nós, colocou-se entre as duas e passou a mão, provocando uma e depois a outra. Perguntou se queríamos mais. A Mery disse que tinha gostado, mas estava dolorida. Ele beijou a bunda dela e disse que tinha adorado. Depois olhou para mim.
“E tu?”
Eu olhei para a Mery. Ela parecia surpresa, talvez esperando que eu dissesse não. Mas eu ainda estava acesa. Disse que talvez quisesse, se tivesse camisinha. Ele procurou, mexeu nas roupas, no bolso, no carro, mas não achou. No fim, a aventura parou ali mesmo. Melhor assim. Às vezes a própria noite sabe a hora de terminar.
Antes de irmos embora, pedi para ele tirar uma foto minha e da Mery perto da estrada. Não uma foto explícita, nada que entregasse tudo, mas o suficiente para nós duas lembrarmos do estado em que estávamos. Cabelo bagunçado, roupa mal colocada, rosto de quem tinha aprontado muito mais do que devia.
Vestimos o que deu, entramos no carro e só então a Mery caiu na risada. Eu fui junto. Rimos como duas loucas, com o dinheiro na mão, o corpo dolorido e a cabeça tentando organizar a história.
“Tu percebe o que a gente acabou de fazer?”, ela perguntou.
Eu olhei para a estrada à frente, ainda sentindo o gosto da noite na boca, e respondi:
“Percebo. E o pior é que eu gostei.”
Voltamos para casa com quinhentos reais, dois fãs novos e uma dor lá atrás que durou mais do que a ressaca. Mas o que ficou mesmo foi a lembrança daquela sexta-feira em que uma partida de sinuca virou aposta, a aposta virou aventura, e eu descobri que, perto da Mery, minha intensidade sempre encontra um jeito de passar dos limites.Uma amiga intensa
Eu sou a Shay. Talvez quem já leu algumas aventuras da Mery se lembre de mim, a amiga morena que às vezes aparece no meio das loucuras dela. Só que dessa vez a história não é dela. Quer dizer, a Mery estava comigo, claro. Ela sempre dá um jeito de estar perto quando alguma coisa sai do controle. Mas dessa vez quem vai contar sou eu, porque foi uma daquelas tardes que começaram com cerveja, sinuca e risada, e terminaram com nós duas quase nuas na beira de uma BR, rindo de nervoso e tentando entender como tínhamos ido tão longe.
Era uma sexta-feira de frio leve. O sol ainda estava gostoso, daqueles que enganam a gente e deixam o fim de tarde com cara de convite. Eu e a Mery resolvemos ir a um bar perto da rodovia, um lugar simples, conhecido, onde a dona já sabia quem éramos. A ideia era beber um pouco, jogar sinuca e jogar conversa fora. Nada demais. Pelo menos era o que a gente dizia quando saiu de casa.
No começo, o bar estava praticamente vazio. Ficamos só nós duas, uma mesa de canto, algumas bebidas e a sinuca livre. A Mery, loira, chamava atenção do jeito dela, mesmo quando não queria. Eu, morena, estava no meu dia de provocar, mas ainda fingindo que era só animação de sexta. Estávamos vestidas como quem sabe que pode ser olhada, mas sem entregar demais de primeira. Aquelas roupas que parecem inocentes se a noite terminar cedo, mas que viram outra coisa quando a bebida começa a fazer efeito.
Jogamos algumas partidas sozinhas. Eu ria dos erros dela, ela ria dos meus, e as provocações começaram de brincadeira. Só que bar de beira de estrada nunca fica vazio por muito tempo. Passadas algumas horas, começaram a chegar homens mais velhos, frequentadores daquele tipo de lugar. Primeiro dois, na faixa dos quarenta e poucos. Depois chegou outro, mais velho, já passado dos cinquenta, com um jeito calmo, observador, daqueles que não precisam falar alto para a gente perceber.
Eles foram para a sinuca, bebendo e jogando entre eles. Eu e Mery continuamos na nossa mesa, fingindo que não estávamos reparando. Mas eu estava. Eu via os olhares, via os sorrisos de canto, via como eles mediam a gente quando uma de nós levantava para pegar bebida. A Mery também via, só que ela tentava disfarçar melhor. Eu não. Quando começo a gostar do jogo, gosto que saibam.
O tempo foi passando, a tarde escurecendo, e um dos homens foi embora. Ficaram dois, o mais velho e o outro, um pouco mais novo. A mesa de sinuca ficou livre outra vez, e eu cutuquei a Mery.
“Vamos jogar mais uma.”
Ela fez cara de quem não queria. Disse que já tinha bebido, que estava bom, que era melhor ficarmos quietas. Mas eu insisti. Eu já estava alegre, solta, com aquela vontade de falar bobagem só para ver até onde a noite respondia. A Mery resistiu um pouco, mas acabou indo comigo.
Assim que ela pegou o taco, eu comecei.
“Vai, Mery, pega firme. Não erra o buraco.”
Ela me olhou com vergonha e riu, tentando mandar eu parar. Só que os homens ouviram, claro. O mais novo riu primeiro. O mais velho ficou olhando, com aquele sorriso de quem entendeu muito bem o tipo de partida que eu queria jogar. Quando a Mery se inclinava sobre a mesa, eu continuava provocando.
“Tem que mirar direito. Taco mole não resolve nada.”
Os dois entraram na brincadeira. A Mery ficou vermelha, mas não saiu. E quando ela fica com vergonha, fica ainda mais gostosa de provocar. Eu percebi que os homens também estavam se divertindo. Aquilo foi deixando o ar mais quente, mais pesado. A sinuca virou desculpa. Ninguém ali estava prestando tanta atenção nas bolas da mesa.
O homem mais velho olhou para mim e disse que eu parecia ter experiência com taco. Eu virei para ele, sorrindo, e respondi que gostava, principalmente dos que já tinham bastante história. Ele riu. A Mery me deu um tapinha no braço, fingindo bronca, mas eu conhecia minha amiga. Quando ela começava a rir assim, era porque a ideia já tinha entrado na cabeça dela.
Terminamos a partida e voltamos para a mesa. A Mery foi ao banheiro, e nesse intervalo eu puxei nossas coisas para uma mesa mais perto da sinuca. Eu queria ficar mais próxima deles. Também fui até a dona do bar e, num tom de brincadeira, perguntei se ela se importava se a gente aprontasse um pouco ali. Ela me olhou como quem já tinha visto muita coisa naquele lugar e disse que, se fosse só provocação, tudo bem, mas ali não era lugar de cobrar programa.
Eu dei risada. Disse que não era isso. Era só uma noite animada.
Quando a Mery voltou e viu nossas coisas em outra mesa, fez cara feia.
“Tu mudou a gente de lugar?”
“Só deixei mais perto da diversão.”
Ela reclamou um pouco, mas sentou. Depois pediu algo mais forte, dizendo que precisava ficar mais feliz. Aí eu vi que minha amiga já estava entrando no clima. Pedimos cachaça com coca, e a noite começou a virar de vez.
Os homens voltaram a jogar, agora nos olhando mais abertamente. O mais velho, que parecia mais tranquilo no começo, começou a me provocar enquanto segurava o taco, dizendo que era assim que se pegava direito. Eu respondi que para ser bom de jogar precisava estar duro. A Mery riu com o copo na mão, tentando esconder o rosto, mas já não estava tão tímida.
A bebida ajudou. Ou atrapalhou. Depende de como se olha.
Pouco depois, foi ela quem surpreendeu. A Mery, já mais solta, olhou para os homens e disse que o jogo precisava de uma aposta. Eles se interessaram na hora. Eu também fiquei curiosa, porque quando a Mery tem ideia depois de beber, quase sempre vem coisa errada.
O mais velho perguntou qual era a aposta.
A Mery olhou para mim, depois para ele, e disse, rindo, que quem ganhasse podia cobrar o meu cu.
Eu quase engasguei com a bebida.
“Meu? Tu ficou louca?”
Ela ria como se tivesse feito a melhor piada do mundo. Os dois homens adoraram. O mais velho olhou para mim como se já estivesse imaginando a cobrança. Eu fiz que não com a cabeça, mas confesso que meu corpo não negou com tanta força assim. A provocação me pegou desprevenida, mas também acendeu alguma coisa.
Só que eu não ia deixar barato.
“Então vai ser justo. Se tu aposta o meu, eu aposto o teu.”
A Mery abriu a boca para responder, mas já era tarde. A brincadeira estava feita. O mais velho ficou com a aposta dela sobre mim, e o outro ficou com a aposta minha sobre ela. De repente, a partida de sinuca virou uma disputa indecente, com nós duas bebendo, rindo e fingindo que aquilo era só brincadeira, enquanto os dois jogavam muito mais sérios do que antes.
Eu estava com tesão, não vou mentir. Mas também estava naquela mistura de coragem e receio. Queria aprontar, queria sentir o perigo da situação, mas não tinha certeza de até onde iria. A Mery, por outro lado, foi se soltando cada vez mais. Ela chegava perto do homem mais novo, cochichava coisas sobre mim, falava que eu era safada, que eu gostava de provocar. Eu ria e mandava ela calar a boca, mas por dentro gostava de ver minha amiga me entregando daquele jeito.
No fim, o mais velho ganhou.
O outro quis revanche, mas a Mery não quis arriscar de novo. O vencedor sentou perto de mim e perguntou quando podia cobrar. Antes que eu respondesse, a Mery disse:
“Pode ser agora. Ela já está sem calcinha.”
Eu ri alto.
“Mentira dela.”
Ele olhou para mim, curioso. Eu, já tomada pela malícia, peguei a mão dele e levei por baixo do meu short, só o suficiente para mostrar que eu ainda estava de calcinha. Ele me chamou de safada e disse que queria arrancar com os dentes. Eu respondi que depois talvez deixasse, porque eu cumpria minhas apostas, mas gostava de fazer valer a pena.
Enquanto isso, o outro tentava convencer a Mery. Ela dizia que ele tinha perdido e não merecia. Ele perguntou quanto valia a aposta, e eu, entrando na brincadeira, falei que no mínimo quinhentos pelo cu rosinha dela. A Mery riu, mas não negou. Pelo contrário. Disse que, por quinhentos, ficava de quatro do meu lado tomando do mesmo jeito.
O clima mudou ali. A brincadeira deixou de ser só fala.
O homem mais velho tirou trezentos reais e jogou na mesa em direção ao amigo. Disse que pagava metade. O outro completou com mais duzentos e entregou para a Mery. Ela pegou o dinheiro, olhou para ele e perguntou se ele queria que ela já tirasse a roupa. A dona do bar, que estava atenta, avisou que ali dentro não dava.
Foi aí que começou a parte que realmente transformou a noite.
Eles perguntaram onde poderíamos ir. Eu sugeri a casa da Mery, tentando dar alguma lógica para a loucura. Mas a Mery, já no auge da coragem, queria aventura. Falou em mato. Falou como se fosse a coisa mais natural do mundo sair de um bar perto da BR e procurar um canto escuro para cumprir uma aposta safada.
Fomos para fora. O ar frio bateu no rosto e me deu um choque de realidade. Por alguns segundos, quase pensei melhor. Mas a Mery estava animada, os homens estavam excitados, e eu estava com aquele tesão que faz a gente rir do próprio juízo indo embora. Entramos no carro dela. Eles vieram atrás, cada um no seu carro.
No caminho, a Mery começou a ficar nervosa.
“Não sei se vou conseguir cumprir. Não tenho lubrificante, não tenho nada.”
Eu sorri, tentando aliviar.
“Vai que nem funciona o pau deles direito. A gente ganha dinheiro fácil.”
Ela riu, mas eu percebi que estava tensa. Eu também estava. Não era medo deles, era medo da nossa própria coragem. Paramos em um acostamento, perto de uma entrada de estrada de chão. Havia mato fechado ali, um canto escuro o suficiente para parecer escondido, mas perto o bastante da rodovia para manter aquela sensação de perigo.
A Mery desceu do carro já tirando parte da roupa. Os homens ficaram loucos. Eu desci mais devagar. Um deles perguntou se eu ia continuar vestida. Eu disse que por enquanto sim. Gostava de fazer render.
Entramos no mato. A noite estava úmida, o chão irregular, o barulho da BR ficando mais distante a cada passo. Encontramos um lugar mais plano, não muito longe. Pedi para eles colocarem as camisetas no chão para a gente não deitar direto na terra. Eles obedeceram rápido, ansiosos demais para discutir qualquer coisa.
Ali, no escuro, com a luz fraca dos celulares e a excitação de todo mundo, a última vergonha foi embora. Tiramos o resto das roupas. A Mery ficou perto do homem dela. Eu fui para o mais velho. Ele me olhava com fome, mas também com certo cuidado, como se soubesse que tinha ganhado uma aposta e não queria estragar o prêmio.
Comecei beijando, provocando, descendo a boca pelo corpo dele. Ele perguntou se eu fazia sem capa. Eu ri, já ocupada demais com a boca para responder direito. O gosto de bebida, pele e desejo se misturava. Eu sentia a Mery do outro lado, já entregue à própria brincadeira, e aquilo me excitava mais. Era estranho e delicioso ver minha amiga, tão próxima, vivendo a mesma loucura que eu.
O homem mais velho tinha um corpo marcado pelo tempo, pelos escondidos, mãos fortes e um jeito experiente. Não tinha a pressa de um guri. Ele segurava meu cabelo, elogiava minha boca, dizia que eu era perigosa. Eu gostava daquela palavra. Perigosa. Talvez naquela noite eu estivesse mesmo.
A Mery ria, gemia, provocava o outro. Em algum momento, quando olhei, ela já estava completamente envolvida com ele, como se toda a hesitação de minutos antes tivesse ficado lá no bar junto com a mesa de sinuca.
Depois de um tempo, peguei a camisinha. Não queria que a aventura virasse problema. Coloquei nele com calma, ainda brincando com a boca, e perguntei se ele queria primeiro na frente ou se queria cobrar a aposta. Ele respondeu que tinha pouco tempo e queria aproveitar o que tinha ganhado.
Deitei sobre uma das camisetas no chão, sentindo o frio nas costas e o calor dele por cima. Abri as pernas e deixei que ele se aproximasse. Ele não foi bruto de início. Foi devagar, como quem sabia que precisava ganhar espaço, me olhando para perceber até onde podia ir. Ardeu, claro. Sempre arde quando a brincadeira passa da fala para a realidade. Mas eu respirei fundo, segurei nos ombros dele e deixei.
Ele entrou aos poucos, e eu mordi o lábio para não gemer alto demais. A rodovia parecia longe, mas não tanto. O risco fazia parte do tesão. Ele começou lento, depois foi ganhando ritmo, me comendo com uma calma suja, gostosa, como se quisesse provar cada reação minha. Eu sentia vergonha e prazer ao mesmo tempo. Vergonha de estar ali, no mato, com um homem que eu tinha conhecido naquela tarde. Prazer por estar exatamente ali.
Quando virei o rosto, vi a Mery apoiada em uma árvore, o outro homem atrás dela. Ela estava entregue, gemendo do jeito que tentava segurar e não conseguia. Aquela cena me fez perder o resto da compostura. Eu estava sendo comida, ela também, e a aposta absurda que começou na sinuca tinha virado uma lembrança que nenhuma das duas conseguiria fingir que não aconteceu.
Ficamos um tempo naquela posição. O homem mais velho tentava me beijar, mas eu virava o rosto às vezes, mais por provocação do que por recusa. Ele ria baixo e continuava, cada vez mais firme. Depois sugeri mudar. Fiquei de quatro, mas ele me ajeitou de outro jeito, me colocando mais baixa, quase deitada, e voltou a me penetrar. O chão incomodava um pouco, os galhos arranhavam de leve, mas a sensação de estar sendo usada ali, no meio do mato, me deixava ainda mais molhada.
Ele não durou muito depois disso. Levantou, pediu para eu ficar de quatro de novo, segurou minha cintura e veio mais forte. Eu senti o corpo dele perder o controle e, em poucos movimentos, ele gozou na camisinha, respirando pesado, ainda me segurando como se não quisesse soltar.
Ele me chamou de gostosa, disse que eu acabava com qualquer homem. Eu ri, ainda tentando recuperar o ar. Me limpei como deu, conferindo se estava tudo bem, enquanto a Mery continuava com o outro. O homem dela brincou com o meu, dizendo que ele era fraco por já ter acabado. O mais velho respondeu que comigo não tinha como aguentar. Eu ri, um pouco orgulhosa, um pouco sem graça.
Só que a noite ainda não tinha terminado.
O mais velho começou a dizer que precisava ir. Me deu um beijo rápido e saiu do mato, levando com ele a luz que estava nos ajudando. Tive que procurar meu celular para acender a lanterna. A claridade azulada iluminou a Mery ainda escorada, respirando pesado, com o outro homem insistindo nela. Nos ajeitamos melhor. Ela mudou de posição, deitou de lado, e ele continuou por trás.
Eu me aproximei dela, deitei perto, e comecei a beijá-la. A Mery me olhou com aqueles olhos bêbados de tesão, e por um momento esquecemos os homens. Era só nós duas, rindo e gemendo baixinho, cúmplices da própria loucura. Enquanto ele continuava nela, tocou em mim também, passando a mão entre minhas pernas. Eu deixei, mais pela excitação de ver a Mery daquele jeito do que por ele.
Ele avisou que estava quase. A Mery perguntou onde ele queria terminar. Ele disse que queria no rosto dela. Nós nos levantamos. Ela foi para frente dele, eu fui junto, brincando mais um pouco, ajudando a levar aquela cena até o fim. Ele gozou nela, enquanto eu beijava, lambia, provocava, participando do jeito que a noite pedia.
Depois, ele colocou a cueca e começou a juntar as coisas. A Mery se limpou no meu short, e eu reclamei rindo, chamando ela de porca. Voltamos as duas nuas pelo mato até o carro, com cuidado para não tropeçar. Quando chegamos perto da beira da BR, o frio bateu forte no corpo. A realidade parecia outra vez muito perto.
O homem que ainda estava ali pediu para ver o estrago que eles tinham feito. Eu e a Mery nos olhamos. Não sei qual das duas riu primeiro. Talvez fosse vergonha, talvez fosse orgulho, talvez fosse só a bebida falando mais alto. Nos abaixamos lado a lado e mostramos para ele, como duas safadas exibidas demais para fingir inocência.
Ele veio até nós, colocou-se entre as duas e passou a mão, provocando uma e depois a outra. Perguntou se queríamos mais. A Mery disse que tinha gostado, mas estava dolorida. Ele beijou a bunda dela e disse que tinha adorado. Depois olhou para mim.
“E tu?”
Eu olhei para a Mery. Ela parecia surpresa, talvez esperando que eu dissesse não. Mas eu ainda estava acesa. Disse que talvez quisesse, se tivesse camisinha. Ele procurou, mexeu nas roupas, no bolso, no carro, mas não achou. No fim, a aventura parou ali mesmo. Melhor assim. Às vezes a própria noite sabe a hora de terminar.
Antes de irmos embora, pedi para ele tirar uma foto minha e da Mery perto da estrada. Não uma foto explícita, nada que entregasse tudo, mas o suficiente para nós duas lembrarmos do estado em que estávamos. Cabelo bagunçado, roupa mal colocada, rosto de quem tinha aprontado muito mais do que devia.
Vestimos o que deu, entramos no carro e só então a Mery caiu na risada. Eu fui junto. Rimos como duas loucas, com o dinheiro na mão, o corpo dolorido e a cabeça tentando organizar a história.
“Tu percebe o que a gente acabou de fazer?”, ela perguntou.
Eu olhei para a estrada à frente, ainda sentindo o gosto da noite na boca, e respondi:
“Percebo. E o pior é que eu gostei.”
Voltamos para casa com quinhentos reais, dois fãs novos e uma dor lá atrás que durou mais do que a ressaca. Mas o que ficou mesmo foi a lembrança daquela sexta-feira em que uma partida de sinuca virou aposta, a aposta virou aventura, e eu descobri que, perto da Mery, minha intensidade sempre encontra um jeito de passar dos limites.

